Dia Internacional dos Arquivos 2026 - FERNANDA ALCÂNTARA Materiais Pedagógicos das Aulas de Geometria
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Super Categoria Arqueologia
Categoria Vidro
Nº Inventário MSA-2499
Denominação Taça romana em vidro, da Citânia de Briteiros
Cronologia Finais do século I / século II d. C.
Fabrico/ Marca Oficinas locais/regionais
Técnica Moldagem ao torno
Matéria Vidro
Dimensões Diâm. máx.: 114mm. Alt.: 50 mm. Esp. bordo: 4 mm
Incorporação Coleção de Francisco Martins Sarmento (descoberta em 1877).
Descrição e origem/historial:
A peça que destacamos é uma taça canelada, translúcida, de cor verde diluído, cujos fragmentos permitiram reconstituir a forma original do objeto. O seu fabrico, através de moldagem a torno, com execução dos gomos recorrendo a pinças ou tenazes, será datável entre a época flávia (último terço do século I d. C.) e o século II da nossa Era. O vidro em bruto seria sempre importado do Próximo Oriente, mas os objetos finais seriam fabricados em oficinas vidreiras locais. Este trabalho seria altamente qualificado e estas oficinas existiriam somente em cidades. Esta taça, recolhida na Citânia de Briteiros, em 1877, foi provavelmente fabricada numa oficina vidreira de Bracara.
É das peças de vidro, recolhidas na região, mais interessantes que se guardam no Museu Martins Sarmento, não se tendo encontrado na Citânia nenhuma outra taça canelada em vidro, nas condições de conservação desta.
Sobre esta tipologia de taças, diz-nos Mário Cruz:
"Esta é a forma “internacional” Alto-Imperial por excelência.(...) Relativamente aos exemplares em vidro verde azulado(...), terá existido certamente uma produção peninsular, nomeadamente no Noroeste. Estas taças são de tal forma abundantes e possuem uma tal variação nos tamanhos, formas e decoração que só a existência de várias oficinas regionais poderia explicar tal facto. Essas oficinas começaram logicamente por se instalar nos acampamentos militares e nas principais cidades. Existem evidências arqueológicas e arqueométricas que nos permitem falar de produções em Asturica Augusta, Bracara Augusta e Lucus Augusti." (Cruz, 2009a, vol. II: 21).
A peça foi recolhida num dos compartimentos do edifício que mais tarde se batizou como "Casa de Avscvs", após a recolha, em 2009, de um elemento epigrafado com este nome. No entanto, muito antes das escavações realizadas pontualmente entre 2008 e 2014, neste espaço doméstico da acrópole da Citânia, as primeiras explorações foram realizadas em 1877, no decurso da escavação das ruas que delimitam o quarteirão onde se encontra em casa:
"...mandei explorar (já tinha sido principiada a ser escavada á tôa, dando muito caco) uma casa quadrada(...) n'um taboleiro superior.
Esta casa deu cacaria immensa:(...) fragmentos de vidro com os quaes se pode restaurar uma taça de vidro (quasi toda), que me diz a fórma das azelhas apparecidas n'outras partes. Um copo que também é possível restaurar com muito trabalho." (Sarmento, 1905: 9).
Os trabalhos arqueológicos realizados neste local, já no século XXI, revelaram que a construção desta casa será datável dos finais do século I a. C., com uma ocupação permanente até ao século II d. C. (Cruz e Antunes, 2017-18), portanto coerente com a datação da taça canelada ali recolhida por Sarmento. Seria habitada por uma família indígena, em processo de mudança cultural no contexto da romanização. A recolha deste objeto não nos indica apenas que os proprietários desta casa procuravam adquirir itens exóticos e visualmente mais apelativos que as escuras taças cerâmicas castrejas, mas também que eles já tinham alterado os seus hábitos, incluindo os produtos consumidos e a forma como eram apresentados. Além das razões de ordem estética, o recurso ao vasilhame de vidro, insípido e inodoro, preserva o sabor dos alimentos, o que terá certamente contribuído para a popularização deste material.
Esta taça da Citânia de Briteiros é idêntica, quanto à sua morfologia e cronologia, à taça canelada intacta proveniente de Almeirim, de cor azul cobalto, que integra também a coleção do Museu Martins Sarmento e é parte do espólio de uma sepultura romana identificada naquele Concelho ribatejano.
Bibliografia
- Alarcão, Jorge e Alarcão, Adília (1963): Vidros romanos do Museu de "Martins Sarmento". Revista de Guimarães, vol. 73 (1-2), pp. 175-209. [cf. p. 188].
- Cruz, Mário (2009a): O Vidro Romano no Noroeste Peninsular. Um olhar a partir de Bracara Augusta. Dissertação de Doutoramento, Universidade do Minho. [cf. vol. 2, pp. 19-22].
- Cruz, Mário (2009b): Vita Vitri. O vidro antigo em Portugal. Silva, Isabel e Raposo, Luís (coords.). Ministério da Cultura/IMC. [cf. pp. 28-30].
- Cruz, Gonçalo e Antunes, José (2017-2018): Intervenção arqueológica de 2014 na Citânia de Briteiros (Guimarães). Alguns dados e problemáticas sobre o urbanismo dos oppida.InMartinéz Peñín, Raquel (coord.), Estudos Humanísticos. História, vol. 16, pp. 33-54.
- Guimarães, Francisco José Salgado (1980): Museu Martins Sarmento. Secção de Indústrias Pré e Proto-históricas. Guia descritivo. Sociedade Martins Sarmento [cf. p. 12].
- Sarmento, Francisco (1905): Materiaes para a Archeologia do Concelho de Guimarães. Citânia. Revista de Guimarães, vol. 22 (1-2), pp. 5-32. [cf. p. 9].
PRIMAVERA, na Coleção de Etnografia da Sociedade Martins Sarmento
No âmbito do programa UM MÊS, UMA PEÇA, a Sociedade Martins Sarmento evidencia, no mês de maio, a figuração denominada PRIMAVERA, em cerâmica do tipo Estremoz, integrada na Coleção de Etnografia. Esta representação antropomórfica, em cerâmica vidrada e policromada, foi doada à Sociedade Martins Sarmento, em 1971, por D. Margarida Ribeiro, juntamente com outras figurações cerâmicas produzidas nas oficinas tradicionais de Estremoz. Esta manifestação artística portuguesa, do denominado Figurado em barro de Estremoz, foi reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. A estética do figurado caracteriza-se, principalmente, pelo processo de modelação manual e pela policromia vibrante, resultante da pintura das imagens, cuja indumentária que exibem segue o padrão típico regional alentejano. As criações deste típico figurado refletem o imaginário devocional e profano da região, espelhando traços da sua própria identidade coletiva. Os famosos barristas de Estremoz modelam figuras religiosas, composições que espelham cenas da vida quotidiana e do trabalho, manifestações festivas tradicionais. Neste domínio inscreve-se a figura genericamente denominada de Primavera, associada segundo alguns investigadores a representações festivas, no caso com o Entrudo (Carnaval), que anunciam a chegada da Primavera, momento em que a natureza, especialmente, a flora, renasce. Apontam, também, que a designação genérica retrata as figurações nomeadas de “Primavera de arco”, “Primavera de plumas” e as “Bailadeiras”. A figuração pertencente ao acervo da Sociedade Martins Sarmento apresenta semelhanças com exemplares existentes no Museu Rural de Estremoz, sendo aí identificadas por “Bailadeiras”. Estas imagens “alegóricas” remetem-nos para a celebração do desabrochar da natureza, estando também ligadas ao conceito de fertilidade.
A PRIMAVERA, do acervo da Sociedade Martins Sarmento, em barro policromado e envernizado, assenta sobre uma base circular pintada em verde, exibindo decoração incisa. Calça sapatos de cor preta e nas pernas tem calças brancas. Apresenta um vestido rodado de cor azul, com duas linhas de folhos de cor laranja, na extremidade inferior, e mangas do tipo ¾. Nos membros superiores, a veste é decorada com aplicações de cor laranja, no pescoço e peito, com linhas incisas; laço no pescoço, na região frontal, e um outro, de pontas pendentes, na cintura, na parte das costas. Os braços, arqueados para a frente, pendem sobre o vestido, tendo junto a cada uma das mãos uma flor, em forma de cornucópia, ambas pintadas em amarelo e decoradas com o mesmo padrão cromático a verde e laranja , nomeadamente na definição do pedúnculo, recetáculo e da flor. Os dedos das mãos surgem representados por incisão. No rosto, duas linhas horizontais e paralelas desenham as sobrancelhas, os olhos são pintados de preto, boca em vermelho, rosetas ocre e nariz em relevo de formato triangular. Na cabeça, para além do cabelo pintado em castanho, exibe um toucado, formado por cinco destaques em forma de pétalas, pintados em azul, amarelos laranja, amarelo e azul (da esquerda para a direita) e decoradas com três linhas paralelas, de cor laranja, azul, branca, azul e laranja (da esquerda para a direita). Ainda na cabeça, surgem aplicados dois destaques cilíndricos pintados em amarelo.
Datação atribuída: Século XX; Trabalho de olaria sem marca de produção; Modelação e pintura manual. Cozedura; Dimensões – 173x83cm.
A representação da PRIMAVERA, antes de ser doada à Sociedade Martins Sarmento, integrava a coleção particular de D. Margarida Ribeiro, associada da Instituição (desde 1967, por proposta do então Presidente da Direção, o Coronel Mário Cardozo), sócia correspondente, a partir de 1970, e colaboradora da “Revista de Guimarães”, tendo também realizado doações de vários objetos de natureza etnográfica à Sociedade Martins Sarmento, que muito contribuíram para o enriquecimento e valorização do acervo da Instituição. D. Margarida Ribeiro (1911-2001) foi professora, investigadora no domínio da história e etnografia, tendo profissionalmente integrado as áreas de etnografia no Serviço Nacional de Informação e Turismo, na Secretaria de Estado da Informação, Cultura Popular e Turismo e na Direção Geral do Património Cultural da Secretaria de Estado da Cultura. No domínio da produção literária e científica, desenvolveu estudos sobre educação e a mulher, a história e a etnografia, assim como escreveu poesia.
Lembramos a estação da Primavera, numa poesia de Sophia de Mello Breyner:
PRIMAVERA
As heras de outras eras água pedra
E passa devagar memória antiga
Com brisa madressilva e Primavera
E o desejo da jovem noite nua
Música passando pelas veias
E a sombra das folhagens nas paredes
Descalço o passo sobre os musgos verdes
E a noite transparente e distraída
Com seu sabor de rosa densa e breve
Onde me lembro amor de ter morrido
– Sangue feroz do tempo possuído
Sophia de Mello Breyner Andresen, 2014
Obras de Margarida Ribeiro:
https://catalogo.csarmento.uminho.pt/cgi-bin/koha/opac-search.pl?idx=au%2Cphr&q=Margarida%20Ribeiro&offset=40&sort_by=relevance&count=20
A Sociedade Martins Sarmento manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do Professor Joaquim António Salgado Almeida, sócio n.º 75 desta Instituição, na qual tinha sido admitido em 1988, pela Direção então presidida pelo Dr. Manuel Bernardino de Araújo Abreu.
Professor e artista, Joaquim António Salgado de Almeida foi uma figura de referência na vida cultural e cívica da cidade, influenciando várias gerações através da sua atividade docente e do seu olhar singular sobre a identidade e o património vimaranense. Foi um sócio ativo da Sociedade Martins Sarmento, colaborando generosamente com várias publicações desta Instituição.
A Direção da Sociedade Martins Sarmento expressa homenagem e pesar pelo falecimento deste seu ilustre associado e apresenta a toda a sua Família sentidas condolências.
A Direção da SMS
A Sociedade Martins Sarmento manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do Professor Wladimir Augusto Correia Brito, sócio n.º 92 desta Instituição, na qual tinha sido admitido em 1990, pela Direção então presidida pelo Dr. Santos Simões.
Foi um ativo sócio da Sociedade Martins Sarmento, com uma presença assídua na Instituição. Atualmente, colaborava no programa de comemoração dos 50 anos da Constituição de 1976.
Jurista de notável projeção no espaço lusófono e figura incontornável do Direito Internacional Público em Portugal, doutorou-se em Direito na Universidade de Coimbra e foi Professor Catedrático na Escola de Direito da Universidade do Minho, onde recentemente foi homenageado pela sua carreira e pelo seu contributo para a afirmação da Escola de Direito. Foi o principal redator da Constituição de Cabo Verde em 1992 e desempenhou funções de referência em instituições académicas, científicas e internacionais, incluindo a lista de Conciliadores das Nações Unidas.
A Direção da Sociedade Martins Sarmento expressa homenagem e pesar pelo falecimento deste seu ilustre associado e apresenta a toda a sua Família sentidas condolências.
A Direção da SMS
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RAUL BRANDÃO NASCEU || 12 março